A Fortaleza da tietagem

Ares cosmopolitas se instalaram na capital alencarina. Pode parecer coisa de caipira deslumbrado – possivelmente é um pouco isso mesmo – mas, nesses dias, a cidade virou ponto de passagem de gente importante. Sejam artistas ou pensadores, é gente que a cidade recebe com cada vez mais freqüência.

(Bastante) relevantes para o punk rock, os americanos do Bad Religion levaram lágrimas aos olhos de marmanjos de Fortaleza semana passada, no festival Ponto.CE. (Bastante) relevante para os estudos lingüísticos, o francês Dominique Maingueneau (foto abaixo) lotou um auditório da Universidade Federal do Ceará, numa passagem discreta pelo estado.

Neste segundo semestre movimentado, eles foram apenas alguns dos nomes que passaram por aqui para agregar valor a uma cidade que precisa desses novos ares, sob pena de estagnar no já conhecido. Tivemos ou teremos Massimo Canevacci, Charles Aznavour, Tarja Turunen, Jasper Johns e Cindy Sherman (as obras desses, ao menos…) São diversas cenas, do metal à antropologia visual, que certamente abriram sorrisos com a presença de alguns de seus nomes mais ilustres.

A julgar pelas últimas semanas, perdeu um pouco o sentido o adágio popular que diz que Fortaleza é palco apenas pra encerramento de carreiras. A cidade ainda é isso, de fato, mas não apenas.

Pude transitar por alguns desses momentos de celebração da arte e do conhecimento. No Ponto.CE (vídeo abaixo) ou na biblioteca de Humanidades da UFC, pessoas bem diferentes marcavam presença. Num show punk, prevaleceu a linguagem do grito, até de uma certa sugestão de violência, nas rodas de pogo – das quais me safei por pouco.

Na palestra do estudioso francês, o silêncio reverencial reinou, quebrado apenas pelo ruído das anotações e de um ou outro celular desobediente.

Mas o encantamento despertado pelos ídolos era idêntico nos dois locais. Os flashes das câmeras fotográficas, em maior ou menor medida, não me deixam mentir. O ritual da busca por um souvenir – um autógrafo, uma palheta de guitarra – se repetiu. Porque tietar é bom, sim – digo sem medo -, é da natureza humana e é algo que Fortaleza merece fazer mais.

Rafael Rodrigues
Produção Viva Fortaleza

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