Brasil em 35mm

Uma das principais funções do cinema nacional tem sido a de retratar as várias faces do cotidiano do povo brasileiro. Essa atitude interfere na criação de uma estética e identidade do cinema nacional. A miséria está exposta.

O rotina das empregadas domésticas paulistas, a polícia corrupta do Rio de Janeiro e a exploração sexual no nordeste são algumas das feridas ampliadas na sala escura. Refiro-me a Domésticas, Tropa de Elite e Baixio das Bestas, filmes que procuraram focalizar este cotidiano.

Após o fim da ditadura militar, com o resurgimento tímido do cinema nacional, o Brasil tem sido obrigado a olhar para dentro de si e digerir seus problemas. Tarefa cumprida desde o “Cinema Novo” de Glauber Rocha.

A miséria do homem nordestino, obviamente, já foi tema de várias obras cinematográficas. O cangaço brasileiro já foi discutida em bons filmes como Corisco e Dadá, Baile Perfumado e O Cangaceiro. Seguindo a rima de Chico Science, ” acontece hoje e acontecia no sertão/Quando um bando de macaco perseguia Lampião”, vê-se que o drama se adaptou a novos personagens, a fome, as promessas e a exploração em suas várias formas ainda contorna a vida sofrida de um povo desgastado no ambiente rural do sertão e nas favelas das metrópoles improvisadas.

Os filmes falam de heróis da resistência. Lampião e seu bando eram carentes de horizonte para suas vidas e usavam como amuleto coragem e armas, semelhante realidade revelada em Falcão, Meninos do Tráfico.

Enquanto o cinema cumpre o seu papel de abordar questões tão duras, caberia a nós refletir sobre essa trágica realidade, mas para muitos, a tela de cinema ainda funciona como puro entretenimento (isso fica para uma outra postagem).

Termino este texto com versos de Chico Science:

“Há um tempo atrás se falava de bandidos
Há um tempo atrás se falava em solução
Há um tempo atrás se falava em progresso
Há um tempo atrás que eu via televisão”

Cine Ceará 14h às 18h Mostra Paralela “Nordeste, Cangaço e Cinema”
A Morte Comanda o Cangaço (Carlos Coimbra, Ficção, 35mm, 110’, Cor, SP, 1960) – classificação indicativa: 14 anos na Casa Amarela Eusélio Oliveira – Cine Benjamin Abrahão.

Chico Science – Banditismo Por Uma Questo De Classe

Paulo Alencar
produção VIVA fortaleza

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